Uma apaixonada por encadernação e Restauro


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The following is a list of all entries from the Estudos category.

História da Filosofia

Trabalho gostoso feito entre o final do ano de 2016 e o início de 2017.

As imagens retratam o antes, apenas.

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O que desejo mostrar é que capa solta pode ser recuperada: basta guardar os pedaços de papel junto do livro, por exemplo.

Aqui, a pessoa fez uma capa de papel independente, para não perder a capa original nem os pedaços de papel que se soltavam da lombada, em um envelope que não foi colado no livro.
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Mas fita adesiva não tem jeito….

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A fita adesiva, conhecida também como “fita mágica”, “durex”, “fita crepe” e até “papel contact” danificam permanentemente o papel.

A fita adesiva é uma tira de plastico com cola em um dos lados. Com o tempo,
o tal plástico solta-se da cola. Mas a cola continua impregnada no papel.
E, mesmo que não esteja colada ao papel, a fita adesiva manchou a página do livro que ficou em contato com ela…..

Então, como fazer?

Sim, faça o envelope de papel como segunda capa. Mas utilize uma folha de papel que permita que, ao ser dobrada, não precise de fita adesiva, como uma dobradura!

E, só para lembrar: grampeador, clipe de papel, elástico e “post-it” não podem ser utilizados, nem mesmo para apontar onde estão os problemas e defeitos, ok?

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Clovis Bevilaqua – Theoria Geral do Direito Civil

Um clássico do mundo jurídico:

Esse livro me foi apresentado como “o destruído”.
A capa, de couro, estava se desfazendo, e o papel estava desgastado.

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Mas o livro em si estava em excelente estado. As únicas marcas eram as do tempo, que escureceu levemente o papel.

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Pois bem. Soltei a capa antiga, higienizei, e usei o processo da caixa para umidificar o papel. Como apenas as bordas estavam ressecando, foi rápido.

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E refiz a capa em couro e papel marmorizado.

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Pronto!

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Il Talismano della Felicitá

Hoje é dia da linda e querida Renata dar as caras, as cartas e as receitas!! Logo menos vocês verão o livro dela 🙂

“Ai, a comida da minha avó!” Como eram bons os almoços de domingo na casa dos meus avos. A comida da avó tem sempre aquele temperinho especial, e o melhor, é que a minha avó sempre fazia questão de preparar para os netos seus pratos prediletos.Il Talismano Della Felicitá
Posso dizer que no meu caso, esses pratos prediletos eram tantos, desde o mais simples macarrao com molho de tomate (que me lembro borbulhando no fogão por horas!) até os doces que derretiam na boca.
O “talismano della felicita” é para mim uma das mais preciosas heranças que minha avó me deixou. Nele encontro hoje não somente os sabores da minha infância, mas um pouquinho da historia da Italia, um país que se tornou a minha pátria e onde agora construo a minha familia.
Na epoca do lançamento do livro, nossas nonnas, bisnonnas (italianas) viviam em uma época de conflitos, entre guerras, onde as mulheres deviam se virar com aquilo que tinham. Elas se tornaram mães em pleno pós guerra, onde a qualquer um era garantida uma chance, mas infelizmente não se voce fosse uma mulher. Elas sentiram imediatamente na pele o que significava estar ligada à cozinha, e transformaram esse elo em meios de expressão únicos, excepcionais. A cozinha foi para elas o verdadeiro talismã da felicidade.
O “talismano della Felicità” teve sua primeira edição lançada em 1929, como uma coletânea de receitas publicadas pela “tia” Ada Boni desde 1915. Provavelmente o primeiro manual de cozinha na língua italiana endereçado às esposas e às jovens e inexperientes mulheres modernas, que apenas saíam de casa ao se casarem, e que na maioria das vezes nao sabiam cozinhar nem se quer um ovo.
Ada Boni considerava a mulher moderna aquela que tinha como dever saber “se virar”, sem depender de empregadas ou de qualquer ajuda externa. Foi dedicado às mulheres que muitas vezes sabiam falar varias línguas, tocar instrumentos, se portar em sociedade, eram instruídas e tinham título superior, porém, não sabiam cozinhar o básico.
Ada, como a maioria dos italianos, tem a intrínseca convicção e acredita que para se alcançar a verdadeira felicidade, a alimentaçao, uma parte essencial do dia a dia, não pode ser negligenciada. Uma afirmação que na minha opinião é ainda muito atual. Basta vermos as tendências atuais de slow food, produtos orgânicos e locais, e até mesmo os realities de cozinha que nos bombardeiam todos os dias na tv.
O livro era um convite às mulheres a pensar e dedicarem-se à cozinha e à casa como um dever prazeroso e gratificante, já que as tarefas domésticas estavam se tornando uma necessidade até mesmo para as classes sociais mais elevadas. A arte de cozinhar era uma virtude, acima de tudo, a maneira mais eficaz para realizar com sucesso a principal tarefa da mulher desse tempo, que era cuidar da família, marido e filhos.
É considerado um dos principais livros de receita italiano, um pedaço da historia gastronômica italiana. Houve um grande sucesso por um século inteiro, sendo o livro de cozinha mais vendido no pais, e ainda nos dias de hoje é considerado um classico presente de casamento a noivas, com uma maior concentraçao na primavera, que é a estaçao dos casamentos na Italia (Europa).
O Talismano della Felicità faz parte do elenco dos 150 pricipais livros que marcaram e contaram a historia italiana. É um livro que atravessou gerações de mulheres.

Capa 2013
Capa 2013

1989
Capa 1989

1984
Capa 1984

Curiosidades:
1. Hoje em dia na sua capa tem o retrato do “Mangiafagioli” (O comedor de feijão) do pintor Annibale Caracci.
2. A primeira ediçao do livro continha 600 receitas, a ultima, ediçao atual dividida em 3 volumes, contem 2139 receitas.
3. O livro contem principalmente receitas italianas, mas também muitas internacionais.
4. A autora durante a explicaçao das receitas intervem freqüentemente com comentarios pessoais e conselhos uteis, praticos. Ela usa uma linguagem calorosa e simpática que mostra seu desejo de dividir todos seus segredos culinarios com as “amigas”.
5. A carbonara, um prato hoje em dia muito popular e conhecido mundialmente não faz parte do livro, oque nos leva a crer, que essa receita que originalmente leva ovos, guanciale (bacon feito das bochechas do porco), queijo pecorino e piementa do reino, foi inventada somente após a segunda guerra mundial.
6. Ada ensina que dona da casa, “patroa” não deve nunca ceder seu lugar na ponta da mesa, em excessao ao “principe”da casa (aquele que tem maior poder) ou ao “principe” da igreja (cardinal).
7. Com o passar do tempo Ada teve que mudar a frase: “fate portare in tavola” (Faça servir a mesa) para “portate in tavola” (Sirva a mesa).
8. O livro era organizado de acordo com a ordem habitual de uma moderna refeiçao italiana:
Antipasti: Aperitivos, entradas
Primi piatti: Pastas, paes, arroz
Secondi Piatti: Carne, aves, peixes e frutos do mar,
Insalate: Saladas
Dolce: Dolces, Tortas, bolos, etc.

Divido uma das receitas do livro. Uma das preferidas do meu marido, fácil e rápida de fazer.

Spaghetti al tonno di Ada Boni
Espagueti ao atum
Ingredientes para 6 pessoas
600 gr espagueti
3 anchovas (em óleo)
200 gr atum em óleo de otima qualidade
meio copo de azeite
alho
1 kg tomates
orégano
sal
pimenta do reino

Instruções
Coloque o óleo em uma panela com um dente de alho, que deve ser removido assim que o óleo é aquecido. Em seguida, adicione as anchovas lavadas, desossadas e cortadas em pedaços pequenos e, assim que dourar levemente adicionar os tomates lavados, descascados, e cortados em pedaços pequenos.
Após cerca de 20 minutos, quando o molho é engrossado o suficiente, adicionar o atum triturado na panela.
Tempere com um pouco de sal, bastante pimenta e uma pitada de orégano, e continue a cozinhar por alguns minutos.
Coloque para cozinhar o macarrão em bastante água fervente com sal.
Quando cozidos, escorra, misture com o molho.
Buon appetito!

Não se pode pensar bem, amar bem, dormir bem, quando não se jantou bem.

Virginia Woolf

One cannot think well, love well, sleep well, if one has not dined well.


Curiosidades

Apaixonada por livros que sou, aproveito as vindas à cidade de meus pais para curtir a pequena biblioteca que era de meu avô.
Enquanto separo algo novo para ler, aproveito para cuidar da manutenção dos volumes.

Foi assim que me deparei com dois livros identificados com letra de criança, e o nome de meu tio.

O primeiro, um livro escolar de gramática, cuidadosamente encapado, etiquetado, em perfeito estado de conservação.
O segundo, o volume 1 de uma coletânea chamada Curiosidades com pequenos parágrafos relacionando história do Brasil, história do mundo, geografia e geopolítica, corrida espacial, biologia e coisas aleatórias.

Se hoje temos a Wikipédia, quando eu era criança tínhamos (cof, cof, ainda temos) o Almanaque Abril, e antes, o Almanaque Tico-Tico.
Meu tio teve o Curiosidades, impresso na década de 1950.

De tanto uso, vejam como ele ficou:

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Como esse tio tem netos pequenos, um deles em fase de alfabetização, decidi que meu presente de Natal para ele seria o livro restaurado e reforçado, para poder ser manuseado por uma criança pequena.

Mãos à obra:

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Quebra-cabeças

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Dar este presente foi uma das coisas mais gostosas deste Natal!

Voilà! Capa maleável, com um reforço devidamente testado: abre, fecha, segura de lado, do outro, por uma capa, além de ter passado de mão em mão após a troca de presentes:

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Os livros, a letra do meu tio, a época em que foram editados (década de 1950) trouxe junto causos divertidíssimos da família à tona.

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As conversa animada que o livro trouxe foi uma das coisas mais gostosas deste Natal!!

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Como comecei a restaurar?

Pergunta comum, tanto aqui no blog, quanto entre meus conhecidos e amigos.

Eu sempre gostei de ler. Antes de ser alfabetizada, eu olhava para as frases escritas e decorava as histórias que me liam, para poder acompanhar as páginas na cadência do conteúdo.

Conseguem imaginar minha euforia ao ser alfabetizada???

Então eu descobri Érico Verissimo.
Não me refiro a qualquer livro, mas aO Tempo e o Vento.
Vejam o que aconteceu:

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Foi por ter estragado estes livros que resolvi aprender a restaurar.

Fui dar com meus costados na ABER. Infelizmente, a agenda dos cursos era incompatível com a faculdade que eu cursava à época.

“Ok” pensei “deve haver alguma opção. Talvez alguém possa me aceitar como aprendiz”.
Na biblioteca da faculdade me disseram que enviavam os livros a um profissional específico, de quem nunca obtive resposta.
Então fui passear pelos sebos de São Paulo, perguntando como eles cuidavam dos livros que precisavam ser restaurados, e me ofereci para trabalhar em troca de me ensinarem a restaurar. A resposta era sempre “não sei” ou “não estamos contratando”.

[e dá-lhe busca de informações na internet discada]

Entre 2000 e 2001 entrei no sebo Vecchio Libro, então uma loja física na zona Oeste da cidade.
Eles estavam organizando um curso!!!

Deixei meu contato, incrédula depois de ouvir tantos “não”, e para minha imensa alegria, recebi um telefonema tempos depois “oi, continua interessada?” “SIM!!!!!”
(Beijo, Ísis! Beijo, Carlos!)

Os módulos seriam aos finais de semana, nas tardes de sábado.
Só que a grana era um problema.

Procura daqui, faz conta dali, encestava quase desistindo quando minha avó entrou na jogada: “vá fazer as aulas, eu pago o curso”.
Nem pensei duas vezes e aceitei. Por ocasião das festas daquele final de ano, pude entregar, restaurado, um livro dela 😊

Essa avó nos deixou há poucos dias, então este post é minha história, na esperança de ajudar quem quer começar a restaurar, e o meu MUITO OBRIGADA à minha avó, pelo legado do aprendizado.


Portrait of a small boy reading*

Cute 😊
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*encontrei navegando pela web


Vida de San Ignacio

Uma das coisas bacanas que acompanha a restauração de livros são os proprietários contando porque aquele volume é importante.

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Este livro está relacionado a uma peregrinação de centenas de km a pé até Santiago de Compostela, na Espanha.
Conseguem imaginar a experiência sendo descrita por um executivo de alta performance durante um café, anos depois? Foi gratificante.

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Pois bem, limpei e higienizei o livro.
Tingi o papel japonês (maleável e resistente, utilizado na restauração de papel danificado) para minimizar o efeito da restauração, refiz as brochuras, costurei o livro e prensei:

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A capa estava parcialmente conservada, mas não era possível utilizá-la sem uma base. Eu precisava de algo para mantê-la una, firme e protegendo o livro.
A escolha foi percalux azul marinho sobre papel acartonado, sem arredondar a lombada, mantendo o formato original do livro.

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O Corpo Fala

Recebi um exemplar “lido e relido pela família inteira”, como disse o proprietário.

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Vejam como estavam as páginas:

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A missão foi refazer o livro:

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A capa estava em bom estado de conservação, então apenas higienizei, limpei a cola e aproveitei o material tal como o recebi (dá para ver os cantinhos com fita adesiva?).
Quanto mais próximo do estado original do livro, mais eu gosto!

É um caso de encadernação de folhas soltas. Como já havia uma furacão em alguns grupos de páginas, mantive o padrão que encontrei.
O resultado foi este:

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A Ceia dos Cardeais

Me emprestaram um belíssimo volume d’A Ceia dos Cardeais para ler, e como a capa estava solta, perguntei se poderia arrumar antes de devolvê-lo.

Impressa em 1950, com belas e significativas ilustrações, foi comprado já com as manchas, mas o papel e a impressão estavam em ótimo estado de conservação.

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Limpei a cola

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E refiz os cadernos:

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E esqueci de fotografar o livro depois de pronto (risos).

A peça, tal como escrita, é uma gracinha.
O esporte de hoje é encontrar o vídeo da interpretação por Raul Cortez.


Deuses, Túmulos e Sábios

Tive a oportunidade de restaurar uma obra bacana, de arqueologia.

O livro estava todo “solto”, então comecei refazendo a costura. Olha só a enumeração dos cadernos e a identificação da obra:

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Quando dizem que fita adesiva “estraga” o livro, é porque a cola fica, e a fita adesiva solta. A cola continua, manchando o papel.

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Só foi possível soltar parte das fitas adesivas. As que restaram danificariam mais o papel, no processo de limpeza, do que se eu deixasse (lembrando que eu não utilizo solventes na execução do meu hobby).

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Fui pesquisar a história do livro e do autor, muito provavelmente pelo fascínio que a palavra mágica “arqueologia” exerce, combinado com a diversão dos filmes de Indiana Jones 🙂

Resumindo em miúdos, é uma obra controversa: o autor utilizou um pseudônimo para escrever fora da imagem de seu trabalho, há quem conteste o autor dizendo não se tratar de trabalho científico, mas o fato é que desde sua primeira impressão em 1953, já foram vendidas mais de 5 milhões de cópias, e continua sendo editado.

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