Uma apaixonada por encadernação e Restauro


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Il Talismano della Felicitá

Hoje é dia da linda e querida Renata dar as caras, as cartas e as receitas!! Logo menos vocês verão o livro dela 🙂

“Ai, a comida da minha avó!” Como eram bons os almoços de domingo na casa dos meus avos. A comida da avó tem sempre aquele temperinho especial, e o melhor, é que a minha avó sempre fazia questão de preparar para os netos seus pratos prediletos.Il Talismano Della Felicitá
Posso dizer que no meu caso, esses pratos prediletos eram tantos, desde o mais simples macarrao com molho de tomate (que me lembro borbulhando no fogão por horas!) até os doces que derretiam na boca.
O “talismano della felicita” é para mim uma das mais preciosas heranças que minha avó me deixou. Nele encontro hoje não somente os sabores da minha infância, mas um pouquinho da historia da Italia, um país que se tornou a minha pátria e onde agora construo a minha familia.
Na epoca do lançamento do livro, nossas nonnas, bisnonnas (italianas) viviam em uma época de conflitos, entre guerras, onde as mulheres deviam se virar com aquilo que tinham. Elas se tornaram mães em pleno pós guerra, onde a qualquer um era garantida uma chance, mas infelizmente não se voce fosse uma mulher. Elas sentiram imediatamente na pele o que significava estar ligada à cozinha, e transformaram esse elo em meios de expressão únicos, excepcionais. A cozinha foi para elas o verdadeiro talismã da felicidade.
O “talismano della Felicità” teve sua primeira edição lançada em 1929, como uma coletânea de receitas publicadas pela “tia” Ada Boni desde 1915. Provavelmente o primeiro manual de cozinha na língua italiana endereçado às esposas e às jovens e inexperientes mulheres modernas, que apenas saíam de casa ao se casarem, e que na maioria das vezes nao sabiam cozinhar nem se quer um ovo.
Ada Boni considerava a mulher moderna aquela que tinha como dever saber “se virar”, sem depender de empregadas ou de qualquer ajuda externa. Foi dedicado às mulheres que muitas vezes sabiam falar varias línguas, tocar instrumentos, se portar em sociedade, eram instruídas e tinham título superior, porém, não sabiam cozinhar o básico.
Ada, como a maioria dos italianos, tem a intrínseca convicção e acredita que para se alcançar a verdadeira felicidade, a alimentaçao, uma parte essencial do dia a dia, não pode ser negligenciada. Uma afirmação que na minha opinião é ainda muito atual. Basta vermos as tendências atuais de slow food, produtos orgânicos e locais, e até mesmo os realities de cozinha que nos bombardeiam todos os dias na tv.
O livro era um convite às mulheres a pensar e dedicarem-se à cozinha e à casa como um dever prazeroso e gratificante, já que as tarefas domésticas estavam se tornando uma necessidade até mesmo para as classes sociais mais elevadas. A arte de cozinhar era uma virtude, acima de tudo, a maneira mais eficaz para realizar com sucesso a principal tarefa da mulher desse tempo, que era cuidar da família, marido e filhos.
É considerado um dos principais livros de receita italiano, um pedaço da historia gastronômica italiana. Houve um grande sucesso por um século inteiro, sendo o livro de cozinha mais vendido no pais, e ainda nos dias de hoje é considerado um classico presente de casamento a noivas, com uma maior concentraçao na primavera, que é a estaçao dos casamentos na Italia (Europa).
O Talismano della Felicità faz parte do elenco dos 150 pricipais livros que marcaram e contaram a historia italiana. É um livro que atravessou gerações de mulheres.

Capa 2013
Capa 2013

1989
Capa 1989

1984
Capa 1984

Curiosidades:
1. Hoje em dia na sua capa tem o retrato do “Mangiafagioli” (O comedor de feijão) do pintor Annibale Caracci.
2. A primeira ediçao do livro continha 600 receitas, a ultima, ediçao atual dividida em 3 volumes, contem 2139 receitas.
3. O livro contem principalmente receitas italianas, mas também muitas internacionais.
4. A autora durante a explicaçao das receitas intervem freqüentemente com comentarios pessoais e conselhos uteis, praticos. Ela usa uma linguagem calorosa e simpática que mostra seu desejo de dividir todos seus segredos culinarios com as “amigas”.
5. A carbonara, um prato hoje em dia muito popular e conhecido mundialmente não faz parte do livro, oque nos leva a crer, que essa receita que originalmente leva ovos, guanciale (bacon feito das bochechas do porco), queijo pecorino e piementa do reino, foi inventada somente após a segunda guerra mundial.
6. Ada ensina que dona da casa, “patroa” não deve nunca ceder seu lugar na ponta da mesa, em excessao ao “principe”da casa (aquele que tem maior poder) ou ao “principe” da igreja (cardinal).
7. Com o passar do tempo Ada teve que mudar a frase: “fate portare in tavola” (Faça servir a mesa) para “portate in tavola” (Sirva a mesa).
8. O livro era organizado de acordo com a ordem habitual de uma moderna refeiçao italiana:
Antipasti: Aperitivos, entradas
Primi piatti: Pastas, paes, arroz
Secondi Piatti: Carne, aves, peixes e frutos do mar,
Insalate: Saladas
Dolce: Dolces, Tortas, bolos, etc.

Divido uma das receitas do livro. Uma das preferidas do meu marido, fácil e rápida de fazer.

Spaghetti al tonno di Ada Boni
Espagueti ao atum
Ingredientes para 6 pessoas
600 gr espagueti
3 anchovas (em óleo)
200 gr atum em óleo de otima qualidade
meio copo de azeite
alho
1 kg tomates
orégano
sal
pimenta do reino

Instruções
Coloque o óleo em uma panela com um dente de alho, que deve ser removido assim que o óleo é aquecido. Em seguida, adicione as anchovas lavadas, desossadas e cortadas em pedaços pequenos e, assim que dourar levemente adicionar os tomates lavados, descascados, e cortados em pedaços pequenos.
Após cerca de 20 minutos, quando o molho é engrossado o suficiente, adicionar o atum triturado na panela.
Tempere com um pouco de sal, bastante pimenta e uma pitada de orégano, e continue a cozinhar por alguns minutos.
Coloque para cozinhar o macarrão em bastante água fervente com sal.
Quando cozidos, escorra, misture com o molho.
Buon appetito!

Não se pode pensar bem, amar bem, dormir bem, quando não se jantou bem.

Virginia Woolf

One cannot think well, love well, sleep well, if one has not dined well.

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As Pupillas do Senhor Reitor – preservação

Hoje eu vou mostrar detalhes de um restauro feito antes de 1951:

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Este livro deve ter sido restaurado em algum momento entre 1940 e 1950.
Considerando o estado de conservação que se encontrava, apresentei as opções: preservar ou restaurar.
Fazei sobre a opção de refazer o livro, correndo o risco de danificar alguma parte do original, já que não sei qual material foi usado, e apresentei a opção de leves reparos, com foco na preservação. Foi escolhido preservar, para não precisar restaurar.

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meu olhar crítico não gostou de ver que, para fazer a capa, foi utilizada página de outro livro.

O Mundo em 1940-50 não tinha a variedade de materiais que encontramos hoje. E ainda que a técnica identificada neste volume não seja diferente da que se vê hoje em dia, o material que utilizamos mudou. O cuidado com a matéria prima continua o mesmo, porém é possível isolar e melhorar o preparo do papel japonês e da cola, por exemplo.

Infelizmente o tempo e (não tenho certeza) o material utilizados não foram muito generosos com o livro, que 70 ou 80 anos depois chegou às minhas mãos:

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conseguem ver o enxerto de papel?

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Há um ex libiris identificando o profissional, mas estou há semanas buscando referências, para identificar o método e materiais utilizados, e não encontro nada que eu possa associar,com toda a certeza, ao profissional do ex libiris.

As páginas do livro estavam ressecadas e sujas, e como o papel utilizado para refazer as brochuras tinha uma característica e gramatura distintas do original, o papel foi se “quebrando”.

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Para interromper, e quiçá reverter o processo, submeti o miolo do livro a um leve processo de umectação, que deu certo e agora, o livro pode ser manuseado sem que as páginas se quebrem.

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Usando cola reversível e papel alcalino, fiz uma sanfoninha (triângulo de papel, que ao ser colado na capa, permite que está não se quebre) e colei a parte solta da capa, mas somente após as páginas do miolo estarem novamente maleáveis e desempenadas.

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Curiosidades

Apaixonada por livros que sou, aproveito as vindas à cidade de meus pais para curtir a pequena biblioteca que era de meu avô.
Enquanto separo algo novo para ler, aproveito para cuidar da manutenção dos volumes.

Foi assim que me deparei com dois livros identificados com letra de criança, e o nome de meu tio.

O primeiro, um livro escolar de gramática, cuidadosamente encapado, etiquetado, em perfeito estado de conservação.
O segundo, o volume 1 de uma coletânea chamada Curiosidades com pequenos parágrafos relacionando história do Brasil, história do mundo, geografia e geopolítica, corrida espacial, biologia e coisas aleatórias.

Se hoje temos a Wikipédia, quando eu era criança tínhamos (cof, cof, ainda temos) o Almanaque Abril, e antes, o Almanaque Tico-Tico.
Meu tio teve o Curiosidades, impresso na década de 1950.

De tanto uso, vejam como ele ficou:

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Como esse tio tem netos pequenos, um deles em fase de alfabetização, decidi que meu presente de Natal para ele seria o livro restaurado e reforçado, para poder ser manuseado por uma criança pequena.

Mãos à obra:

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Quebra-cabeças

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Dar este presente foi uma das coisas mais gostosas deste Natal!

Voilà! Capa maleável, com um reforço devidamente testado: abre, fecha, segura de lado, do outro, por uma capa, além de ter passado de mão em mão após a troca de presentes:

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Os livros, a letra do meu tio, a época em que foram editados (década de 1950) trouxe junto causos divertidíssimos da família à tona.

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As conversa animada que o livro trouxe foi uma das coisas mais gostosas deste Natal!!

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Kit de Biblioteca Pessoal

Eu estava passeando pelo Livros só mudam pessoas e me deparei com uma lista de 24 presentes insanamente inteligentes para amantes de livros.

É óbvio que quero TODOS, mas achei super divertido o kit de biblioteca pessoal, que permite um controle tradicional de empréstimo e devolução de livros:

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Adorei!
Vou criar uma versão minha!!!


“Emprestei, e nunca mais vi”

Durante todos os anos de restauração e encadernação de livros, há uma frase que sempre ouço:
“Eu tinha tal livro, mas perdi. Ou melhor, emprestei, e nunca mais vi”

Não é seu? Devolva! Simples assim.

Meu irmão empresta seus livros, mas cobra a devolução.

Meu pai se interessou pelo que me viu ler nas ultimas semanas. Como não era meu, expliquei que iria perguntar a quem me emprestou se tudo bem. Meu pai não apenas recusou minha proposta de ler livro que me fora emprestado, como, no final da semana seguinte, estava com uma edição de bolso da mesma obra (oba!!!)

Eu e os colegas de uma das empresas aonde trabalhei emprestávamos livros uns para os outros. Como a escolha de gênero era parecida, os cafés muitas vezes começavam com comentários sobre as leituras compartilhadas.

Tenho amigos que moram longe (viva a internet!!!), e rola uma ida e volta de livros que é deliciosa!

Perdeu o contato?
Deixe na caixa de correios da pessoa.

Esqueceu e lembrou anos depois?
Diga “olha, estava comigo!” e devolva.

Saiu da escola e levou sem querer livro da biblioteca?
Entregue na portaria.

E, não menos importante:
Perdeu, tomou chuva, cachorro comeu? Tudo bem, explique o que aconteceu e ofereça um novo exemplar junto com o antigo (estamos falando de edições sem valor emocional, certo?)

Você não precisa se explicar, nem precisa arranjar uma desculpa para devolver.


Pessoas que leem são mais legais

Publicado originalmente na Super Interessante

Pesquisadores da Universidade de Washington e Lee (EUA) constataram esse efeito com um teste bem simples: colocaram voluntários para ler uma história bem curtinha, fizeram algumas perguntas para identificar o quanto cada um tinha curtido o que leu e aí derrubaram, sem querer querendo, um monte de canetas no chão. O estudo conta que, quanto mais “transportadas” para dentro da história as pessoas tinham sido, maiores eram as chances de levantarem o bumbum da cadeira para ajudar a recolher as canetas.

A explicação é que quando lemos algo que realmente mexe com a gente, criamos empatia pelos personagens da história — e quanto maior essa empatia, mais propenso a gente fica a ser bacana com os outros na vida real. E você aí, anda lendo muito?

 


Amigo Secreto

Passei anos boicotando ou fugindo de tudo quanto era amigo secreto porque achava chato. Não via graça. Achava pro-forma, uma obrigação vazia.
Aí, ano passado, em um fórum de internet de um grupo que me foi apresentado aos poucos pelo Bisoro, e ao qual me sinto deliciosamente pertencida, surgiu a idéia de um amigo secreto de final de ano. E eu senti vontade de participar.
A única regra era que o presente pudesse custar tanto quanto ou menos que o sedex.
Eu abracei a idéia e hoje recebi um dos melhores presentes dos últimos tempos:

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Quem me tirou é também fotografo. E acaba de me presentear com uma câmera point-and-shoot na contramão da tecnologia digital. Porque fotos digitais são descartáveis. Um filme não.
E junto veio um caderninho de bolso, porque ninguém pensa direito sem organizar as idéias.

Obrigada, Julio!


Oficina de Encadernação

Não sei se já comentei aqui, mas desde junho do ano passado faço parte da Oficina de Artesanato com colegas do trabalho.

A idéia é simples: vá e se divirta. Não precisa reservar lugar, não precisa se preocupar. Toda semana, no mesmo dia, após o expediente, e depois de bater o ponto de saída (risos).
Quem quiser, vai e ensina. Quem quer, vai e aprende. Já fizemos tricô usando os dedos ao invés de agulha, bonecos de balão de ar, madeira, flores, e agora, caderno.

Como sempre, foi delicioso!

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pausa pro merchandising:
No grupo temos Lucila e Patikô do Imotorigami e o Fábio, do Querencia.net.


Livros que você não mais lê.

Livros que você não mais lê, o que você faz com eles?

O que você faz com livros didáticos do colégio, da faculdade, do curso de ppt quando ainda era novidade, histórias de criança, livros infanto-juvenis, biografias, ficção, técnicos, revistas, gibis, jornais, periódicos, religiosos, auto-ajuda, documentários, teses, apostilas, contos, scripts, rascunhos, manuais, guias, enfim, com livros que você não lê mais?

Eu tenho inúmeras opções, e lanço mão de todas elas conforme o caso:
1. Pergunto para pessoas do meu convívio se elas têm interesse;
2. Pergunto às bibliotecas que freqüento se elas aceitam doações, como funciona, se têm espaço disponível e se o livro interessa;
3. Levo para a instituição benficente de minha confiança;
4. Vender. Nunca fiz isso, pois ganho tantos livros que prefiro dá-los. Mas é sempre uma opção válida;
5. Reciclo;
6. Folheio, vejo se há algo que interessa, e se for algo que não terá muito mais utilidade, recorto ou arranco a página ou a matéria que me interessa e encaminho para reciclagem.

E você, o que faz?

Via Wordmobi


Fofão – sobre livros emprestados

Ao postar sobre o livro Bala na Agulha, fiquei com vontade de retomar o assunto dos livros emprestados, aqueles, que raramente são devolvidos.

Fofão é o apelido de um dos porteiros do prédio aonde moro. Ele trabalha lá há uns 10 anos, e embora saiba tudo sobre a vida de todos, é uma exceção por ser discreto. Discreto e batalhador. Um dia descobri que ele também teve uma idéia, e essa idéia tem funcionado muito bem, acho que é um e$tra. E isso é tudo o que eu sei dele.

Mas sei também como ele usa seu tempo “morto” durante o expediente lá na guarita: ele lê. Lê avidamente, o que você perguntar, é capaz dele já ter lido. Ele diz que aos domingos, o movimento é tão pouco que ele deixa para esses dias os livros cheios de capítulos longos e assuntos mais difíceis.

A grande surpresa foi descobrir que ele empresta os livros dele. O livro do Marcelo Rubens Paiva do post anterior é dele. E inúmeros outros que passaram pela minha casa, e por muitos outros apartamentos do predio. E sabe o que é mais legal? Todos devolvem os livros para ele! Me pergunto se seu “status” de porteiro faz com que as pessoas resolvam devolver os livros, na contramão da tendência do mundo.

Ahn, ele também lê livros que ele pega emprestado de outros. E devolve!!!  Ironias à parte, ele já teve meus livros como companhia dos domingos à tarde, os da minha avó, os do meu irmão, e sabe-se lá de quem mais. E todos voltaram, sem estragos, e com um obrigada.

Acho bacana.



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