Uma apaixonada por encadernação e Restauro


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The following is a list of all entries from the Papel category.

As Pupillas do Senhor Reitor – preservação

Hoje eu vou mostrar detalhes de um restauro feito antes de 1951:

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Este livro deve ter sido restaurado em algum momento entre 1940 e 1950.
Considerando o estado de conservação que se encontrava, apresentei as opções: preservar ou restaurar.
Fazei sobre a opção de refazer o livro, correndo o risco de danificar alguma parte do original, já que não sei qual material foi usado, e apresentei a opção de leves reparos, com foco na preservação. Foi escolhido preservar, para não precisar restaurar.

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meu olhar crítico não gostou de ver que, para fazer a capa, foi utilizada página de outro livro.

O Mundo em 1940-50 não tinha a variedade de materiais que encontramos hoje. E ainda que a técnica identificada neste volume não seja diferente da que se vê hoje em dia, o material que utilizamos mudou. O cuidado com a matéria prima continua o mesmo, porém é possível isolar e melhorar o preparo do papel japonês e da cola, por exemplo.

Infelizmente o tempo e (não tenho certeza) o material utilizados não foram muito generosos com o livro, que 70 ou 80 anos depois chegou às minhas mãos:

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conseguem ver o enxerto de papel?

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Há um ex libiris identificando o profissional, mas estou há semanas buscando referências, para identificar o método e materiais utilizados, e não encontro nada que eu possa associar,com toda a certeza, ao profissional do ex libiris.

As páginas do livro estavam ressecadas e sujas, e como o papel utilizado para refazer as brochuras tinha uma característica e gramatura distintas do original, o papel foi se “quebrando”.

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Para interromper, e quiçá reverter o processo, submeti o miolo do livro a um leve processo de umectação, que deu certo e agora, o livro pode ser manuseado sem que as páginas se quebrem.

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Usando cola reversível e papel alcalino, fiz uma sanfoninha (triângulo de papel, que ao ser colado na capa, permite que está não se quebre) e colei a parte solta da capa, mas somente após as páginas do miolo estarem novamente maleáveis e desempenadas.

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Giz de Cera

Projeto do dia: encadernação!

O objetivo é consolidar anotações e sketches em livro portátil e resistente, uma via física de portfólio e índice de técnicas, como solicitado.

Estas belezinhas são a companhia da tarde de hoje:

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Vida de San Ignacio

Uma das coisas bacanas que acompanha a restauração de livros são os proprietários contando porque aquele volume é importante.

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Este livro está relacionado a uma peregrinação de centenas de km a pé até Santiago de Compostela, na Espanha.
Conseguem imaginar a experiência sendo descrita por um executivo de alta performance durante um café, anos depois? Foi gratificante.

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Pois bem, limpei e higienizei o livro.
Tingi o papel japonês (maleável e resistente, utilizado na restauração de papel danificado) para minimizar o efeito da restauração, refiz as brochuras, costurei o livro e prensei:

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A capa estava parcialmente conservada, mas não era possível utilizá-la sem uma base. Eu precisava de algo para mantê-la una, firme e protegendo o livro.
A escolha foi percalux azul marinho sobre papel acartonado, sem arredondar a lombada, mantendo o formato original do livro.

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Cem Anos de Solidão

Recebi um volume sem capa, com páginas rasgadas e brochuras soltas.

Refiz as páginas:

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Costurei as brochuras:

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Para a capa, procurei outro exemplar da mesma edição. Sem sucesso, pesquisei e descobri que a arte ainda era a mesma dez edições depois. Ótimo!

Escaneei uma capa e apresentei minhas idéias ao dono do livro. Projeto aprovado, mãos à obra:

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Papel acartonado sobre um fundo vinho, temos uma capa resistente, leve e personalizada.

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Não foi gravado o nome da obra, nem mesmo o do autor por escolha do dono do livro. Também não houve tratamento da imagem da capa digitalizada, mantendo as manchas do tempo e do uso, mantendo a coerência com do livro em si.

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Preparando papel japonês

Preparando tiras de papel japonês, que uso para “refazer” páginas rasgadas.

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Ferramentas

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Posso viver de restauração de livros?


De Manhã Muito Cedo

Hoje eu vou começar de trás para frente, pela curiosidade – a origem deste livro (eu tinha 27 anos de idade quando me dei ao trabalho de descobrir a origem daquele monte de papel rasgado guardado no fundo do armário):

Se não me engano, ele foi comprado em uma bienal do livro de São Paulo em meados da dec. de 80. Eu ainda não sabia ler, mas me lembro daquela bienal. Não sei se era a minha primeira, mas eu pedia para ir em todas desde então, até que me desencantei em 1996, quando ela foi transferida do Pavilhão da Bienal no Ibirapuera para o Expo Center Norte, e nunca mais voltei…

A capa foi limpa na medida do possivel, se eu insistisse em tirar as manchas, a pintura seria danificada. 

Mas voltando ao livro: eu me encantei pelos bonequinhos de papel, de roupas tradicionais e coloridissimas, que dançavam ao meu bel prazer, para lá…. e para cá….. Na minha cabeça de criança, eles dançavam para mim. As cores enchiam meus olhos e minha mente, saltando de dentro daquele livro de poucas páginas. O livro se mexia! Dá para imaginar o efeito da interatividade em uma criança que não sabia ler ainda?

Aqui dá para perceber o estrago da euforia mencionada. Praticamente todas as paginas precisaram  ser reparadas, e nem todas puderam ser restauradas de modo a ficar inteiramente novo.

Então eu descolei a capa do resto do livro – ele parecia uma sanfona inteira esticada – criei uma capa dura, revesti com material branco e resistente, inseri a capa antiga e voilá: um livro pronto para ser manuseado por crianças, inclusive as que ainda não sabem ler, ou que precisam ficar na pontinha dos pés para alcançar a pia =D


Bala na Agulha

Trabalhinho fácil: arrumar as lombadas que, invariavelmente vão se descolando ou rasgando.

Em função do amadorismo fotografico de quem vos fala, a foto do ANTES está péssima para postar, mas a do DEPOIS ajuda a ter noção do que acontece.

Esse livro foi encadernado industrialmente, e o papel da capa é laminado. O dono não queria nada além de ver seu livro inteiro, então me dediquei apenas a recompor a lombada para, conforme solicitado, “ficar facil de ver na estante”.  Tá aí.


“It” cola

Ouso chamar a cola metil de “it” cola. Metil é o apelido que nós damos ao metil celulose.Digo isso porque a função “colar” não é a unica que ela desempenha. Ela descola, limpa, dilui, até preenche, pode ser misturada a outros materiais para garantir melhores resultados…

metil

Agora que vocês sabem que existe uma cola reversível que não estraga o papel, o que acham de aposentarem aquelas fitas adesivas horrorosas que mancham o papel, secam e soltam-se, deixando o remendo todo grudento, prontinho para acabar de rasgar?

Estão vendo no recipiente essa substancia pastosa opaca? Então, é ela depois de pronta. (e, sim, eu tenho um mixer à pilha só para fazer a dita-cuja!)

Para vocês verem, é só misturar a substancia em água e misturar-misturar-misturar-misturar… e já está pronta para aplicar.

No caso dessas fotos, fiz um monte porque a demanda era trabalhosa (= alto consumo dessa cola).

Olhando assim parece fácil, né? Mas é bom deixar claro que existem inumeros cuidados envolvendo seu preparo, tempo de uso (sim, para algumas funções, ela tem prazo de validade!!!), material sobre o qual se pode ou não pode aplicar etc.


Leituras Fáceis

(Oba, mais fotos!)

Voltei, para mostrar um livro que adorei restaurar!

Trata-se de uma coletanea de cronicas de minha avó. Infelizmente, à época, eu ainda não tinha máquina fotografica digital, então vai só o resultado.

Esse livro está cheio de comentários – para os curiosos, minha letra é parecida, mas não igual à dela;

O papel escureceu com o tempo, mas continua ótimo (é tããão bom trabalhar com papel bom!);

A capa foi, literalmente, enxaguada (kids, don’t try this at home! Não é todo tipo de papel, impressão e tratamento quimico que suporta o banho de agua fria que essa capa recebeu), para então ser aplicada sobre papel similar em cor e textura (na foto acima, no canto inferior à esquerda dá para ver a diferença – inevitável);

Por fim, a lombada foi (re)feita em material impermeavel e mais resistente que a anterior (conforme especificações e autorização da dona), que não se desfaz nem quebra ao ser manuseada, suporta a capa dura e ao mesmo tempo, mantem a aparência dos livros da época.


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